São Paulo no Século 20

 

O século 20, em São Paulo, começou com toda a força dos milhares de imigrantes, que resolveram o problema da mão de obra da lavoura cafeeira, permitiu maior ocupação do interior do Estado. Criaram-se as condições necessárias para que pequenas fábricas, subsidiárias do café, dessem os primeiros passos em direção à industrialização.

Até 1930, a ferrovia puxava a expansão da cafeicultura, atraía imigrantes e permitia a colonização de novas áreas, enquanto nas cidades a industrialização avançava. As greves e as "badernas de rua" tornam-se assunto cotidiano dos boletins policiais, ao mesmo tempo que começa a saltar aos olhos a precariedade da infraestrutura urbana, exigida pela industrialização. Um dos graves problemas passou a ser a geração de energia, centro de atenção das autoridades estaduais. Já em 1900, fora inaugurada a Light, empresa canadense e principal responsável pelo setor em São Paulo até 1970. O Estado passou a ter uma significativa capacidade de geração de energia, o que foi decisivo para o grande desenvolvimento industrial verificado entre 1930 e 1940. Nessa nova conjuntura, mais de uma dezena de pequenas hidrelétricas começaram a ser construídas, principalmente com capital estrangeiro.

Nesse período da Primeira República, a cafeeira paulista viveu o seu apogeu. Mas a Revolução de 1930 colocou fim à liderança da oligarquia cafeeira. As oligarquias paulistas ainda promovem, contra o movimento de 1930, a Revolução Constitucionalista, em 1932, mas foram derrotadas, apesar da pujança econômica demonstrada pelo Estado de São Paulo.

Em 1930, os trilhos de suas ferrovias chegavam às proximidades do rio Paraná e a colonização ocupava mais de um terço do Estado. Socialmente, o Estado, com seus mais de um milhão de imigrantes, tornou-se uma torre de Babel, marcado pelas diferentes culturas de muitos países e brasileiros de todo o Brasil.

O café superou a crise dos anos 1930 e nos anos 1950 a indústria automobilística em São Paulo despontou como uma das principais alavancas de desenvolvimento.

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A Estação da Luz, em 1911. Fotografia de Guilherme Gaensly (1843-1928). Gaensly nasceu na Suíça e imigrou para a Bahia aos cinco anos de idade, com seus pais. Cresceu e se educou em Salvador, onde também iniciou sua carreira de fotógrafo. Mudou-se para São Paulo no final do século 19 e é o autor de impagáveis imagens históricas da capital paulista.

 

Paulista

 

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Avenida 9 de Julho, vista do Viaduto do Chá para o de Santa Ifigênia, em 1957 (acervo Instituto Geográfico e Cartográfico).

 

Mazzapopi, o ator paulista em cena de uma de suas chanchadas em que personificava um típico caipira paulista. Em 1959, representou Jeca Tatu do escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948), com filmagens em Pindamonhangaba. Jeca Tatu foi lançado em 1918, no livro Urupês, era um personagem que representava a preguiça de muitos caipiras de regiões rurais de São Paulo. Taubaté, cidade natal de Lobato, mantinha um monumento ao Jeca Tatu na praça Dr. Barbosa de Oliveira, até 2013, quando Jeca foi retirado para restauração. Amácio Mazzaroppi (1912-1981) era filho de um imigrante italiano e nos anos '50 fazia sucesso com suas chanchadas em que representava um caipira paulista.

São Paulo cresceu com suas desigualdades, ainda não resolvidas, e que só aumentam ano a ano.

Os imigrantes europeus e asiáticos deram grande contribuição ao desenvolvimento de São Paulo, mas também muito contribuíram para inchar as favelas paulistanas. Esse é um fato que a mídia paulista (dominada principalmente por descendentes de imigrantes europeus) tenta camuflar, subvertendo a História e injustamente culpando apenas os nordestistas pelos problemas de São Paulo. A mensagem que a mídia paulista passa é que os nordestistas foram os pedreiros e os imigrantes europeus (e seus descendentes), os arquitetos. Verdade, mas não na maior parte.

Grande parte dos arquitetos de São Paulo veio do Nordeste (e de avião). Além disso, antes da chegada dos imigrantes europeus e asiáticos, a população do Sul e do Sudeste era predominantemente de mestiços brasileiros. Muitos eram escravos, vindos direto da África para o Porto de Santos, Rio de Janeiro e Rio Grande (RS).

No século 19, a política de imigração do Brasil visava principalmente substituir a mão de obra escrava. A grande maioria dos imigrantes, europeus e asiáticos, era de analfabetos, retirantes da pobreza.

A Europa de hoje é muito diferente da que já foi. Até a primeira metade do século 20, a miséria na Europa era grande e a desigualdade, imensa. A maior parte dos imigrantes buscava desesperadamente oportunidades na América, que não existiam em seus países. As duas guerras mundiais muito contribuíram para aumentar a pobreza europeia.

Nos anos 1920, por exemplo, passava-se fome na Alemanha. Mulheres prostituíam-se por pratos de comida, como registrou Gilberto Freyre, que lá esteve. Em Londres, existiu, por muito tempo, o Submundo (London Underworld) e, de certa forma, ainda existe. A maior parte da população vivia em slums, as favelas britânicas. Em 1850, o sociólogo inglês Henry Mayhew sobrevoou, com um balão, a Capital do Império Britânico e registrou uma Cidade Monstro, onde conviviam todo tipo de gente e de animais. A situação na Itália não era melhor. A situação na Ásia era pior. Hoje, o quadro é bem diferente.

No século 21, a migração inverteu-se. Agora os paulistas vão para o Nordeste. Que sejam bem-vindos.

 

 

Uma das habitações da ocupação Nova Palestina, em 2013, na zona sul de São Paulo. A capital paulista sofre atualmente com sua super população e seus imensos problemas sociais.

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Marcelo Camargo